Nayana
Quando Veríssimo concebeu a crônica intitulada O Marido do Doutor Pompeu, ele, dentro de sua vivência, só poderia ter sido capaz de criar uma obra que retratasse o ideal de casamento masculino. Somente um outro homem conseguiria compreender as necessidades de um homem ao chegar cansado do trabalho e desejar encontrar apenas uma casa limpa, a comida feita e a possibilidade pacífica de sentar-se e relaxar sem a preocupação de ser o macho alfa daquele habitat. Claro que gênero é construção social, e assim o sendo, é neste contexto mesmo que me encontro aqui pensando neste conto e na minha própria experiência atual. A de estar casada com uma mulher. Não o casamento em seu sentido tradicional de duas pessoas que decidem passar o resto da vida juntas por se amarem, aquele amor romântico e carnal. Mas o casamento da decisão de dividir um teto, as contas e a vida, por que não, com outra pessoa. Tendo sido eu construída socialmente para pertencer ao gênero feminino, apesar de toda resistên...